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terça-feira, 19 de junho de 2012

Jornalistas d’O PASQUIM – Millôr Fernandes


Por Vanessa Santarém




Millôr Fernandes um grande cartunista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor, entre outras, provavelmente um dos poucos escritores universais que o Brasil possui. Foi um dos fundadores do jornal "O Pasquim" e um ferrenho lutador pela liberdade. Escreveu em várias revistas entre elas, "O Cruzeiro,  “A  Cigarra” "Veja", porém foi no “O Pasquim”,  que ele obteve grande repercussão.


Ele com outros humoristas fundaram  o jornal durante a ditadura militar, Com textos ácidos, ilustrações debochadas e personagens inesquecíveis, como o Graúna, os Fradins ou o Ubaldo, o semanário entrou na luta pela democracia num dos períodos políticos mais sinistros e turbulentos do país, que começa a atazanar a vida dos militares que se apoderam do país durante esta época, fazendo o país viver num regime ditatorial e passam a haver perseguições aos artistas e intelectuais. Ao mesmo tempo em que combatiam a censura, Millôr, Henfil, Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Ivan Lessa, Sérgio Augusto e Paulo Francis, dentre outros colaboradores do jornal, sofriam com ela. A mesma redação que, em novembro de 1970, seria inteira presa por causa de uma sátira do quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga.

Faleceu no Rio de Janeiro, vítima de parada cardiorrespiratória, em março de 2012.

Frases que foram ditas por ele e que ficaram marcadas:

"O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda." 


"A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota o ovo."


"Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada."


"Nunca tantos deveram tanto a tão porcos."


"O preço da fidelidade é a eterna vigilância."


"Toda lei é boa desde que seja usada legalmente."


"Você pode desconfiar de uma admiração, mas não de um ódio. O ódio é sempre sincero."

terça-feira, 5 de junho de 2012

Jornalistas d´O PASQUIM – Jaguar

Por: Vanessa Santarém


Jaguar é uma das presenças mais constantes na imprensa brasileira nos últimos 50 anos. Jaguar faz parte da geração de artistas gráficos que luta a partir de 1964 contra a censura imposta pelo regime militar. É um dos fundadores de O Pasquim em 1969, no qual trabalha como editor de humor, cartunista, entrevistador e administrador. Conta-se que o semanário, cujo nome significa "jornal ruim e controverso", foi batizado por Jaguar, o único da equipe original que permanece até o fim de O Pasquim, em 1991. De suas mãos nasce o mascote do jornal, o ratinho Sigmund, ou Sig, referência a Sigmund Freud (1856 - 1939) e alter-ego de Jaguar, que faz o papel de mestre-de-cerimônias, aparecendo na capa e na abertura das matérias que são a novidade da semana. O ratinho de personalidade variada, valentão e irônico, sonhador e bem-comportado, muda de fisionomia na mesma medida em que muda de humor. Ao lado dos Fradinhos de Henfil (1944 - 1988), Sig torna-se um dos símbolos de O Pasquim. No entanto, sua tira Chopinics, em parceria com Ivan Lessa, e o personagem Gastão, o vomitador também fazem bastante sucesso nas páginas do jornal.

É comum o uso de colagens e montagens, em geral de obras de arte famosas, nas histórias ou charges de Jaguar. Exatamente por causa de uma de suas charges-montagem quase a totalidade da equipe do O Pasquim é presa por dois meses pelo regime militar no final de 1970. A obra que serviu de estopim para a detenção reproduzia o quadro de Pedro Américo (1843 - 1905) Independência ou Morte (1888), no qual a figura de Dom Pedro I (1798 - 1834) vinha acompanhada de um balão com a seguinte frase (tirada da música de Jorge Ben): "Eu quero é mocotó!". Durante os dois meses que se seguiram, O Pasquim é editado por Millôr Fernandes (1923) e Henfil, os únicos da redação que escapam da cadeia, ajudados por artistas e simpatizantes do jornal como Chico Buarque (1944), Glauber Rocha (1939 - 1981), Odete Lara (1929), Rubem Fonseca (1925), entre outros. Henfil, responsável por Sig neste período, "destrambelha" o ratinho intelectualizado, para diversão de Jaguar que acompanha o semanário da prisão.

Após o fim de O Pasquim, Jaguar torna-se editor do jornal A Notícia. Atualmente escreve coluna semanal no jornal O Dia, e elabora charges para a coluna de Ivan Lessa no Jornal do Brasil. Em 1999 participa juntamente com Ziraldo (1932) e outros remanescentes do O Pasquim da criação da revista de humor Bundas.