Mostrando postagens com marcador Glicieli Martins. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Glicieli Martins. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de junho de 2012

Raimundo Pereira e o Jornal Movimento


Por Gliciele Martins 


Raimundo Rodrigues Pereira nasceu em 8 de setembro de 1940, em Exu, Pernambuco filho de Joaquim Rodrigues de Oliveira e Lindanora Simplício Pereira. Sua carreira é marcada por importantes contribuições para o jornalismo brasileiro. Sua experiência e profissionalismo tornaram Pereira um dos mais respeitados jornalistas da atualidade.

O pai de Raimundo decidiu morar em São Paulo e com 12 anos de idade, Raimundo tem seus primeiros contatos com o jornalismo, primeiramente como cronista de futebol devido sua paixão pelo esporte. Raimundo concluiu seu período escolar em São Paulo e na faculdade decidiu fazer engenharia aeronáutica no Instituto Tecnológica de Aeronáutica (ITA). Na faculdade começou a escrever no jornal O Suplemento e como o país já enfrentava o regime militar, foi expulso do ITA por subversão. Começa aí sua luta estudantil editando o jornal Amanhã em 1967. Atuou também no jornal Folha da Tarde e posteriormente começa seu trabalho no jornal Opinião.

Devido a discordâncias no jornal Opinião ele é demitido e lança seu próprio jornal chamado de Movimento, que se tornou em um grande instrumento de luta contra a ditadura e a favor da população marginalizada.

Com o jornal Movimento Raimundo emplaca várias reportagens que contribuíram para sua carreira de sucesso, tornando Raimundo Pereira um dos jornalistas mais renomados e experientes desse ramo.

Jornal Movimento: começo, meio e fim

Por Gliciele Martins

Apesar do constante controle e opressão, o período compreendido entre 1964 e 1980 foi marcado por muitas discussões e reflexões sobre a realidade. A opressão ao invés de calar faz com que as pessoas pensem mais e tentem buscar alternativas de expressar o que estão sentindo. Essa nuance psicológica inerente ao ser humano foi um dos elementos que contribuiu para o surgimento da Imprensa Alternativa.

Entre os jornais alternativos, o jornal movimento ganhou bastante evidência. E teve seu início a partir de um racha do jornal Opinião, que havia nascido alguns anos antes (1972). O jornal Opinião passou por uma crise e teve início divergências entre Raimundo Pereira, que era o editor e Fernando Gasparian, dirigente do jornal. Como Raimundo já se dedicava ao projeto de um novo jornal, ele propôs um rompimento. O jornal Movimento nasce desse rompimento, e Raimundo começa a buscar novos colaboradores para o seu jornal.

A linha editorial do jornal se baseou em promover um “jornal democrático e popular, independente e pluralista” que lutaria principalmente pela população excluída da sociedade. Mas como todos os jornais, ele sofreu com pesadas censuras e cortes.

           “a censura cortou 3.093 artigos na íntegra, 3.162 ilustrações e uma média de 4.500.000 palavras, até a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi parcialmente vetada pela censura”. (GASTAUD, 2008)

A equipe do jornal era obrigada a enviar um exemplar para os censores do governo que analisavam o que seria e o que não seria publicado. A censura se tornou rotina na redação do Movimento e em todos os outros jornais. Porém, ele conseguiu publicar grandes coberturas durante os seis anos de vigência, como a edição 80 de 10 de janeiro de 1977, que alertava a sociedade sobre as dificuldades no campo e a edição 226 de 29 de outubro de 1979, que discorreu sobre o poder dos bancos e controle exercido por esse grupo sobre a economia brasileira. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Uma parte da equipe do Jornal Movimento

Por Glicieli Martins

O jornal Movimento integrou vários colaboradores, das mais diversas áreas, entre sua equipe tiveram pensadores, jornalistas, desenhistas, historiadores, médicos, psicólogos, economistas, intelectuais, líderes políticos, alcançando aproximadamente 70 colaboradores efetivos que conseguiram construir um jornal de qualidade que questionava a condição política e social da época, apesar da forte repressão.



Parte da equipe de redação em 1976. Da esquerda para a direita: Marcio Bueno, Izalco Sardenberg, Sérgio Buarque de Gusmão, Bittencourt, Flavio Carvalho, Silvia Campolim, Luiz Bernardes, Cecília Magalhães (atrás de Bernardes), Chico Caruso, Paulo Barbosa, Raimundo Pereira, Eduardo Macedo, Tonico Ferreira, Maria das Graças Rodrigues, Flavio Aguiar, Maria Rita Khel, Teresa Ferreira.(AZEVEDO, 2011)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Jornal de Destaque: Jornal Movimento

Por Glicieli Martins

O jornal Movimento foi uns dois principais veículos que resistiu arduamente a censura e a repressão do regime militar e conseguiu bravamente publicar suas 334 edições, entre várias vitórias e derrotas. Sua essência estava baseada na luta pelo direito dos trabalhadores e dos indivíduos e na democracia.

                       “A despeito de todos os seus erros, Movimento foi um exemplo do esforço de unir as diversas correntes do campo democrático-popular. Foi, além disso, um semanário de alta qualidade.” (AZEVEDO,2011)

Raimundo Rodrigues almejava um jornal que fosse elaborado e construído coletivamente, de forma que a democracia prevalecesse. Essa nova estrutura de construção já dizia por si mesmo que havia ali uma reação ao cenário político que se configurava na época.

Jornal Movimento - Ano 1 nº 1
O jornal Movimento foi lançado no auge de grande repressão e censura, e com isso ele já sai da redação censurado. A primeira capa não era convidativa, mas o conjunto dos elementos (foto, escolha de termos, questionamentos) registrava um jornal que promoveria discussões sociais e políticas. A imagem dos trilhos remete à população mais pobre, assim como o termo subúrbio. A pergunta na capa “Você é a favor do acordo atômico?” elicita um jornal que não somente informaria, mas questionaria e iria fazer o leitor pensar.

“E nasceu feio. A capa não convidava o leitor, dava a impressão de que nem fora paginada, toda negra. Logo abaixo do logotipo com o nome do jornal, vazado em branco, lia-se “Ano 1 nº 1 Cr$ 5,00”.1 Mais nada, nem data trazia. Na metade superior, sobre o fundo negro, uma foto obscura, um homem em pé, o rosto não aparecia, parado entre os trilhos de uma estrada de ferro.” (AZEVEDO,2011) 

Assim como todos os jornais desse período o Movimento era visitado diariamente pelos censores do regime que aprovavam ou rejeitavam os conteúdos que iriam ser publicados, os colaboradores e jornalistas tinha que produzir vários modelos do mesmo conteúdo para ampliarem a capacidade de aceitação dos censores.

Capa da edição 80, 10 de janeiro de 1977
                   “Na semana de lançamento, os editores e a equipe se revezaram entre a redação, a sede da Polícia Federal e as oficinas. O esforço para suprir os “buracos” da tesoura não foi pequeno; os censores vetaram nada menos que quatro propostas de capas do jornal, além de 18 matérias inteiras, 8 fotografias, 10 ilustrações e 12 charges.” (AZEVEDO,2011)

O jornal foi dirigido por Sergio Motta e ganhou uma dimensão nacional, sua sede era em São Paulo, mas o jornal teve surcusais no Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais, Campinas, Salvador, Recife, Belém, Curitiba, Londrina, Porto Alegre. O jornal se sustentava com o dinheiro das ações, chegando a ter mais de 500 acionistas.

Cada publicação realizada era uma grande conquista de combate à repressão e promoção do bom jornalismo, o jornal atingia altos padrões de qualidade que iam desde o conteúdo até a diagramação do jornal. As imagens escolhidas também pareciam estar em sintonia com o espírituo de luta do jornal, que contribuiam para construir um jornal forte, equilibrado e dedicado à denúncia de uma sociedade aprisionada e marginalisada.

BIBLIOGRAFIA

Azevedo, Carlos Jornal Movimento : uma reportagem/ com reportagens de Marina Amaral e Natalia Viana. Editora Manifesto: Belo Horizonte, MG : Editora Manifesto, 2011.